Maria Madalena Pereira Othão, que viria a usar o nome artístico de Madalena Sotto e a adoptar Oliveira de Azeméis como sua, nasceu em Carvalhais de Lavos, na Figueira da Foz, a 21 de Julho de 1916, filha de Othão Luís e Aida Augusta Pereira, primeiros professores da Escola O Comércio do Porto, hoje Escola Secundária Soares Basto, em Oliveira de Azeméis.Numa época em que só os grandes centros tinham escolas técnicas, esta família soube cativar as forças vivas da comunidade Oliveirense, no sentido de garantir a sobrevivência de um equipamento que se transformou na força geradora da indústria que hoje existe no nosso concelho e nos concelhos limítrofes. Através de exposições de trabalhos executados na escola, no Salão Nobre, e de aplaudidas e sempre esgotadas récitas (em favor de diversas causas e instituições), que levaram à cena em diferentes localidades do Distrito, transformaram a escola no centro cultural da região. Dona Aida, uma mulher muito dinâmica e empreendedora, soube tirar o máximo partido do talento da sua filha em proveito da escola. Madalena foi primeiro aluna distinta de tapeçaria, depois leccionou essa arte como Auxiliar de Oficina. Esta disciplina viria a projectar a fama da escola até aos gabinetes do Ministério, onde ainda hoje se encontram “os nossos tapetes”. Aqui na escola, Madalena forjou o seu tenaz carácter e aprendeu e desenvolveu a arte de palco que lhe permitiu alcançar o sucesso no mundo artístico, levando o nome de Oliveira de Azeméis até à capital e a Portugal inteiro.
Em 1939, Madalena, já com o nome artístico de Madalena Sotto, instalou-se em Lisboa onde iniciou a sua tão aclamada carreira. Ainda nesse ano participou no filme “O Feitiço do Império”. Depois seguem-se os filmes, “A Varanda dos Rouxinóis”, de Leitão de Barros (1939), “A Vizinha do Lado” (1945) (tendo-lhe sido atribuído o Prémio SNI de melhor interpretação feminina do ano), “Os Três Espelhos” (1945), “Vidas Sem Rumo” (1956) e “O Sinal Vermelho” (1972). Fez parte de diversas Companhias de Teatro, entre as quais a de Alves da Cunha e do Teatro Nacional de D. Maria II. Fez digressões pelas Ilhas e pelas antigas colónias, ao lado dos maiores nomes portugueses do teatro e do cinema do seu tempo.
Como a Biblioteca Escolar / Centro de Recursos se assume também como Mediateca, faz todo o sentido ter como Patrona alguém que, para além de estar ligada à formação da nossa escola, também se encontra ligada ao mundo do espectáculo.
Acima de tudo, Madalena Sotto foi uma mulher que, partindo da sua formação na nossa escola, numa época de conflito e caos, teve a força e determinação para atingir os seus sonhos: um exemplo de tenacidade e coragem para os nossos jovens.
A Actriz Madalena Sotto
A Actriz Madalena Sotto
Estreia-se no cinema em 1939 na curta metragem "Dois Corações... Um Destino" de J. Oliveira Santos. No teatro, estreia-se um ano mais tarde em 1940 ao lado de Alves da Cunha na peça "Os Velhos" no teatro Sá da Bandeira no Porto. Em 1945 ingressa na companhia Rey-Colaço/Robles Monteiro, onde permanece até ao ano seguinte entrando em peças como: "Othelo", "Balada de Outono", "Vidas Sem Rumo", "As Duas Máscaras", "Zilda", "O Leque de Lady Windermere", "À Lareira do Pecado" "O Alcaide de Zalamea". Em 1951, na Companhia que explorava o Teatro Ginásio entra em peças tais como: "A Farsa do Amor", "Luz sem Fim", " A Loja da Esquina" e "Multa Provável". Em 1955, já na empresa de Vasco Morgado participa em: "Joana D'Arc", "O amor dos Quatro Coronéis", "À Esquina da Noite" e "Vida de um Herói". Em 1955 protagoniza ao lado de Amália Rodrigues a peça "A Severa" no Monumental. Fez também Revista, como em 1950 no teatro Variedades na revista "Sempre em Festa". Quando surgiu a televisão, participou em inúmeras peças nas saudosas noites de teatro da RTP, como "A Casa de Pais" entre dezenas de outras. É de salientar que em 1945 ganha o prémio do SNI para a melhor actriz desse ano, pelo seu papel de Isabel no filme "A Vizinha do Lado".
Filmografia
1939 - "A Varanda dos Rouxinóis" - Leitão de Barros
1940 - "Feitiço do Império" - António Lopes Ribeiro
1945 - "A Vizinha do Lado" - António Lopes Ribeiro
1947 - "Três Espelhos" - Ladislao Vajda
1956 - "Vidas Sem Rumo" - Manuel Guimarães
1972 - "Sinal Vermelho" - Rafael Romero Marchent
Filmografia
1939 - "A Varanda dos Rouxinóis" - Leitão de Barros
1940 - "Feitiço do Império" - António Lopes Ribeiro
1945 - "A Vizinha do Lado" - António Lopes Ribeiro
1947 - "Três Espelhos" - Ladislao Vajda
1956 - "Vidas Sem Rumo" - Manuel Guimarães
1972 - "Sinal Vermelho" - Rafael Romero Marchent

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